Part. 3
NARRADORA
×××
Any sabia muito bem o que aquele código significava, era uma chamada. Ele está chamando por ela.
Está a solta e de alguma maneira isso pode ser mais desastroso do que se pode imaginar. O tempo passou, mas os sentimentos não morreram, basta um reencontro e o que está agora adormecido pode acordar da maneira mais sufocante possível.
Poison está a solta e isso não é um bom sinal!
Ela sorriu com amargura e seus olhos se encheram de lágrimas de remorso. Pensava que jamais poderia se arrepender por pensar nela quando ninguém tinha feito por ela antes, mas doía sua consciência. Suas atitudes diante sua ambição foi algo que acabou com tudo o que eles poderiam ter tido a dois anos atrás.
Ela piscou quando se assustou com o barulho alto da notificação que acabara de chegar em seu celular. Uma lágrima solitária escorreu e ela pegou o celular em mãos e abriu a mensagem do número desconhecido de uma pessoa que ela já nem sabe se continua a mesma.
Desconhecido: sabe que sou eu, eu sei que sabe, apenas quero informa-la de que agora estou livre e bem mais perto do que imagina. Vamos brincar de gato e rato de novo ou iremos agir como o que sabemos que somos?
Ela engoliu em seco após ler a mensagem e respirou fundo.
Me: sabe onde me encontrar.
Desconhecido: eu sei :)
Ela desligou o aparelho telefônico e se levantou da cadeira em que estava, recolheu suas coisas e saiu de sua sala caminhando em direção ao estacionamento. Antes mesmo de chegar até seu carro foi parada por Chris, um dos agentes que ela tinha uma relação casual.
- Ei Elly, já está indo embora tão cedo? - ele perguntou a parando.
- Sim, tenho coisas graves a resolver, como o do sistema policial que foi invadido, não deveria também estar trabalhando para descobrir e pegar quem fez isso? - ela questionou sendo curta e grossa.
- nós sabemos muito bem quem foi, seu ex amantezinho acaba de ser solto e o sistema invadido, não acha que seja coincidência, ou acha? - ele perguntou tentando a provocar.
- O que está querendo insinuar, Christian? - perguntou séria e ele suspirou.
- Eu sei bem o que aconteceu entre vocês, sei que ainda gosta dele, tudo isso não parece suspeito? Você é ambiciosa, tem boa influência e os melhores contatos, com isso poderia se livrar facilmente do que pesa a consciência. - ele chegou próximo demais dela. - Não precisa mentir pra mim, Any, somos amigos.
- Eu não sou sua amiga, Christian, eu sou sua superior. Acho melhor rever a maneira como se dirige a mim, não é porque eu transei com você algumas vezes que temos qualquer intimidade. É só eu estalar os dedos e você está fora desta área, não me teste. - disse Any o cutucando com a ponta da unha do dedo indicador.
A Soares sorriu com escárnio.
- E é Diretora Soares 'pra você. - deu as costas para ele e cheguou até seu carro. O adentrou e deu partida para o local que a muito tempo não ia, um lugar com memórias boas, mas também desestabilizadoras.
Foram longos e agonizantes cinquenta minutos até chegar na casa enorme que ficava no topo da colina cercada por muros de pedras. Os portões se abriram quando ela clicou em botão em específico que era como a chave para poder entrar naquela verdadeira mansão.
O céu já quase totalmente escuro e preenchido por estrelas, ela olhou por um instante pedindo a Deus que a mantivesse firme naquele instante mesmo depois de todos os pecados que cometeu, porque sozinha ela sabia que não conseguiria.
Os grandes portões de ferro preto se abriram e ela passou por eles estacionando o carro em frente a porta de entrada. Any saiu do veículo e encarou seu reflexo no espelho olhando para suas vestimentas que eram simples, mas ainda elegante.
Respirando profundamente para controlar os nervos, ela caminhou até a porta e a destrancou com chave que ainda tinha consigo. Passou pelo hall de entrada, sala e subiu as escadas pensando nos memórias que tinha com ele ali.
Ela passou pelos corredores e entrou na última porta, onde que dava para o quarto onde por muitas e longas noites repousaram.
Ela viu que ainda estava ali um porta retrato dos dois, ao lado da cama, a mesma cama da foto. Na foto eles estão abraçados deitados com uma cara de quem acabara de acordar, foi uma luta para que aquela foto saísse boa e pela dificuldade que enfrentaram para tira-la no fim ela se tornou aquele porta-retrato.
- Não sente falta? - ela soltou um grito pelo susto que levou quando ele surgiu atrás dela falando ao pé do ouvido da mesma.
- Caralho, se quiser me matar faça de uma vez. - falou com a mão sobre o coração se virando para ele deixando de admirar o porta-retrato para admirar o homem lindo trajando um terno completamente preto.
- Sabe que não quero isso. - ele disse e a analisou por longos, quase infinitos minutos.
- O que quer de mim, Beauchamp? - ela foi direta. Uma das coisas que mais odeia são enrolações.
- O que eu quero de você? - ele perguntou sarcástico. Ambos sabem a resposta desta pergunta. - Quero que pare de fugir de mim, Gabrielly.
- Não estou fugindo de você. - falou firme.
- Não? - ele questionou sorrindo com deboche. - Os últimos quatro anos você passou fugindo do que sente por mim. Sabe, durante esses dois anos que estive atrás das grades eu pensei que realmente eu fosse o único problema, porque eu sempre fui algo a ser rejeitado. Um bebê que foi jogado fora, um garoto jogado no mundo do crime, um homem jogado de lado.
- Josh... - ela tentou falar, entretanto ele não permitiu.
- Eu apenas queria saber que tipo de maldição é essa. Mas eu não quero me vitimizar, eu escolhi viver um pouco ao seu lado e ser trocado, eu escolhi ser o monstro da minha própria história, eu escolhi aceitar o que você escolheu para si quando tudo o que eu queria era te manter presa a mim. - ele soltou tudo o que estava entalado a muito tempo.
- Eu escolhi esperar você voltar para mim depois, mas seus desejos vão além do seu amor. - ele disse com amargura.
- Eu descobri quem é Any Gabrielly de verdade, depois de ter me mantido cego por amar você.
- Não sabe o que está dizendo. - ela sussurrou com a voz embargada.
- Também não se faça de vítima, nós erramos, Any. - ele se segurou para não gritar. - Você me dizia mentiras terríveis, mas agora sei quem é você de verdade. Não consigo entender como eu pude ser tão estúpido por não perceber que o tempo todo você era uma farça.
Ela se aproximou dele e ele também se aproximou a olhando com frieza.
- Lady in red, não precisa mais se esconder, sua máscara caiu. - ele falou contra o ouvido dela.
Ela se manteve estática, mas não tanto surpresa. Josh é um homem astuto, surpresa foi ele ter descoberto tão tarde sobre a identidade dupla de sua querida Any.
Foram anos trabalhosos, mas ela tinha conseguido o que queria, era uma mulher reconhecida e aplaudida, ninguém precisava saber tudo o que ela fez para chegar até ali.
- Sempre foi manipulação, Any? Realmente nunca sentiu nada por mim? - ele a questionou.
- Josh, não posso negar que mexeu comigo. - ela disse abrindo um sorriso. - Vivemos coisas inesquecíveis, mas não passou de momentos. Eu jamais podia abandonar meus sonhos por você, da mesma maneira que você não queria ter feito agora que sabe quem sou. Não acha tolice amar alguém assim?
Ele negou com a cabeça.
- Tudo bem, mas não pode me condenar quando eu perguntei se deixaria sua vida por mim você também não o fez, todo e qualquer sentimento não importa, não sacrificaríamos quem somos um pelo outro, é por isso que eu me apaixonei por você, você é como eu, só que mais ingênuo. O que nos diferencia é que você ainda acredita no amor.
- Não Any, o que nos diferencia é que eu faria qualquer coisa por você, eu morreria e mataria por você, mas tudo o que você sempre quis de mim foi o que te beneficiasse, eu sempre fiz tudo o que eu podia por você, meu erro foi querer algo em troca de alguém que no fundo ama, mas não sabe nenhum pouco o que é amar. - ele disse contendo o embargo que tomaria conta de sua voz.
- Erraram com você, então você quis provar para os outros que poderia ser maior que eles, eu soube do quanto pisou em seus pais, quis provar para si que não dependia de ninguém, mas sempre quis tudo de mim, porque acha que se não fizerem suas vontades não é amor. O seu erro Any é não ter lutado contra esses demônios que te infernizam, não permitir que essa ferida cicatrize. Você sangrou demais em cima de mim que não tive culpa, foi isso o que acabou com a gente. - um nó se formou na garganta dela.
Por um instante ela sentiu que fosse desabar.
- E eu não vou condenar você, eu quero que se cure, eu não posso fazer isso por você e eu percebi isso, por sorte não tarde demais para te alertar. - ele limpou com o polegar a lágrima que nem ela notou que tinha escorrido. - Você conseguiu escapar do mundo criminoso, mas ainda age como uma para se defender. Se liberte disso, o amor existe, Any, e é lindo, foram nossos caráteres deturpados que nos impediram de viver juntos.
Ela caiu de joelhos na frente dele.
Soluço atrás de soluço escapou da garganta. Ele se ajoelhou na frente dela.
- Talvez não tenhamos sido feitos para ficarmos juntos, mas nosso encontro nessa vida foi necessário para que eu fizesse com que enxergasse isso. - ele disse abraçando ela sem se manter muito tempo naquele ato. - De qualquer maneira, eu te amo multiplicado por cada cada grão de areia da praia e estrelas que existem no céu.
- Vai me deixar? - ela questionou ao ver que ele se distanciava da mesma.
- Agora terá que encarar sozinha o que sempre precisou fazer. - ele disse seguro de suas palavras. - Você nunca precisou de mim.
Ele disse e foi embora a deixando só.
Sozinha mais uma vez.
Fim?
Eai meus amores, esperavam por tudo isso? Nossa Any é uma mulher que foi extremamente afetada pelo passado e isso afetou em toda sua vida.
Isso acontece na vida real mais do que pensamos, muitos adultos vivem vidas frustradas por traumas da infância/adolescência. Meu conselho é: aprendam a perdoar e a se perdoarem, pelas coisas que fizeram com você e o que você fez consigo mesmo.
Pessoas confusas machucam pessoas incríveis.
E pessoas feridas sangram constantemente em cima de quem não as feriu.
Busquem ajuda, perdoem e jamais deixe de acreditar no amor.
Nós falhamos como seres humanos, quando alguém falha não quer dizer que ela não te ama, mas o caráter de cada um influenciam em suas ações e são elas que realmente machucam.
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