⚡︎ Capítulo 14
JOSH BEAUCHAMP
Eu acabei de cometer um erro.
Um erro gigantesco.
Porra.
Eu beijei Any Gabrielly. A beijei quando sabia que deveria me manter relativamente distante. Distante o suficiente para controlar as loucuras que se passa na minha cabeça quando penso naquele ser de cabelo cacheado.
Mas eu não pensei racionalmente, me deixei levar por um instinto estúpido e tentei marcar um território que não deveria me pertencer.
A beijei na frente de um moleque estranho para um caralho porque estava... não estava pensando logicamente. Eu apenas o queria longe dela, pois sei que ele não tem boas intenções.
- Você é namorado dela? Ou apenas um ficante? - Sam me questionou assim que entramos no mesmo elevador.
Eu queria fugir o mais rápido possível, mas também queria garantir que o filho da puta não voltasse. Eu vi o olhar de Any e sei que ela não gostou dele.
O encontro deve ter sido uma merda.
Eu sorri.
Por que eu estou sorrindo?
- Ninguém que te interessa. - dei a mesma resposta de quando ele, a pouco, perguntou quem eu era.
- Você é tão rude. - ele zombou. - Parece que é disso o que ela gosta afinal.
Ele soltou um riso anasalado que me fez virar a cabeça e o encarar, enquanto eu estava tentando controlar meu furor em querer sumir com ele.
- Você não deve voltar a se dirigir a ela. - eu falo em um tom severo.
O moleque me encara de volta, seu olhar arrogante e sorriso debochado só me faz apertar as mãos em punhos para tentar me controlar mais um pouco.
- Não acho que seja o namorado. Eu conheço Any e ela sempre esteve sozinha. - ele diz com seu sorriso de psicopata.
Sinto vontade de arrancar os seus dentes que me lembra teclas de piano ilustrado de tão brancos que são.
- Eu posso não ser, mas eu sou o único homem que ela terá agora, então para seu próprio bem sugiro que não se aproxime. - falei firmemente.
- Senão? - ele me provoca.
- Senão as coisas poderão ficar ruins para você. Não me desafiaria se fosse esperto. - eu falei com um sorriso de lado.
Apoiei minha mão no ombro dele e dei um aperto firme suficiente para ser doloroso.
Ele se afastou assim que a porta do elevador se abriu. Nós seguimos para a saída do prédio. Ele saiu disparado, já eu fui até onde o porteiro se encontra.
- Eu gostaria de te pedir um favor. - eu disse chamando a atenção do homem mais velho que estava distraído com sua revista.
- No que posso ajudar? - ele largou a revista e se moveu para me atender.
- O garoto que veio ver a Srta. Soares é um delinquente, se ele aparecer por aqui me informe o mais rápido possível. - eu puxei meu telefone do bolso da minha calça.
- Por que eu deveria fazer isso? - o velho perguntou, elevando o queixo e mudando a postura.
- Any é nova e está desamparada sem os pais, nós dois somos homens e entendemos bem mais dos perigos do que ela. - eu comecei a falar. Peguei minha carteira e tirei uma nota.
- Você não precisa fazer isso. - ele disse enquanto me assistia tirando o dinheiro da carteira. - Any parece gostar e confiar em você, vou ajudá-lo porque também não gostei daquele garoto e quero a menina Any segura.
Sorri.
- Ótimo, então temos a mesma visão. Agora anote meu número para que você possa se comunicar comigo quando necessário. - ele pegou um bloco de notas e anotou meu número.
Retornei para casa após verificar se o intrometido já havia realmente partido. Assim que cheguei no portão me deparei com Noah tocando a campainha sem parar.
- Se quebrar você me paga. - eu falo sério. Noah se volta para mim e abre um largo sorriso sarcástico.
- Finalmente. Estava quase pulando seu muro, filho da puta. - ele diz sorridente.
Ele me abraça e eu para não ser tão frio retribuo com dois tapinhas nas costas e o empurro em seguida. Eu abri o portão e passei por ele sendo seguido por Noah.
- O que te trouxe para esse lado da cidade? - questionei curioso.
Assim que abri a porta que dá no hall de entrada fui recebida por estelar
- Eu terminei o trabalho que você me passou a algum tempo. - ele disse se jogando em meu sofá.
- Por que você só me avisa agora? - eu me sento no sofá do lado oposto em que ele está. - Quando terminou?
- Ontem, não vim antes porque estava ocupado com outros serviços. A polícia está na minha cola e estou sem grana para suborno, então agora você pode me dar o resto do dinheiro. - ele contou, apoiando a cabeça em sua mão.
- Ótimo! Vou fazer um cheque. - eu me levantei. - Quero os detalhes. - acenei para que ele me seguisse.
Eu fui para meu escritório e Noah me seguiu. Me sentei no meu lugar à mesa e peguei meu talão de cheques. Assinei um e o segurei antes de entregar para Noah para que ele me contasse os detalhes do serviço.
- O tal Bailey já não frequentará mais a Universidade em que estava e Ryan conseguiu encontrar o paradeiro de Lamar, então enviei um recado como você pediu e o coitado está na merda com uns negócios que tem feito no Japão, parece que o casal Soares está dando trabalho para ele. - Noah contou passando a língua nos dentes e sorrindo atoa.
- Humm, isso é relativamente bom, mas não é tudo. - digo e estico o cheque para ele. - Diga que preciso de mais evidências, senão ele não verá mais nenhum dólar meu. - mando.
- Certo. Agora me diz, sei que está enrolado com aquela garota. Por que não assume de uma vez ela? Os pais não estão perto e ela não precisa saber das verdades por enquanto. - ele questiona.
- Eu não vou me envolver, não é certo e eu não quero. - falo curto e grosso.
- Entendi. Você ainda tem aquela vadia na cabeça? Quando é que você vai... - eu o cortei.
- É melhor você ir, eu tenho muitas coisas para resolver. - eu falei fechando meu semblante.
- Tudo bem, não vou falar sobre ela, mas não posso deixar de dizer que você está perdendo muito tempo e pode se arrepender mais tarde. - ele diz com as mãos estendidas em rendição.
- Eu sei o que devo fazer e quando fazer. - sou mais rude do que queria ser.
- Não está mais aqui quem falou. - Noah ergueu as mãos novamente em rendição. - Eu já vou indo, você não é o único com coisas para resolver.
Ele disse e então partiu. Continuei em meu escritório por duas horas seguidas tentando distrair minha mente do episódio que ocorreu mais cedo, quando beijei Any. Mesmo tendo trabalhado pelas horas seguidas não conseguia tirar ela da minha cabeça.
A cena se repetia na minha cabeça o tempo todo.
Meus lábios tocando os dela. A sensação de tomar seus lábios incrivelmente macios e ela ter retribuído no mesmo nível me marcou profundamente.
Caralho, eu estou parecendo um adolescente quando dá o primeiro beijo. Surreal. Eu não sei mais o que está acontecendo comigo, apenas sei que preciso esquecê-la ou vou acabar louco pela confusão que ela faz na minha cabeça.
Ao anoitecer eu estava mexendo em meu carro, para concertar um pequeno defeito que continha, até que ouvi a campainha soar. Eu joguei uma ferramenta de volta na caixa e peguei uma toalhinha para limpar o suor do meu rosto.
Assim que limpei minhas mãos um pouco sujas, andei até o interior de minha casa para poder pegar meu tablet e poder ver quem era o ser que estava apertando minha campainha sem parar.
Como eu cogitei era Any. Pensei que ela me seguiria depois daquele beijo, mas até que ela demorou para vir atrás de mim.
Eu liberei o portão para ela e a vi passar por ele através das câmeras. Coloquei o tablet em seu devido lugar e fui para o lado de fora, encontrando estelar ronronando aos pés de Any.
Any a pegou nos braços e ergueu os olhos se deparando comigo a poucos metros de distância. Ela se aproximou acariciando minha gata, que parece gostar mais do espantalho do que de mim.
Eu a olhei da cabeça aos pés, ela definitivamente não parecia um espantalho agora. Ela está usando um vestido que molda seu tronco e espreme seus seios até eles quase saltarem, a saia do vestido é solta e ele tem alças finas que deixam amostra topo do colo. Ela parece uma camponesa sexy e bem arrumada.
Ok, estou sendo um pouco exagerado. Mas é simplesmente fofo e sexy demais para mesma pessoa.
Eu analiso as expressões de seu rosto pouco maquiado e ela parece séria, isso me deixou minimamente nervoso.
- Eu sei para que veio. - eu quebro o silêncio que pareceu longo demais, o que estava me deixando ansioso e eu odeio sentir qualquer coisa desse tipo.
Mas, novamente, com Any não posso evitar de parecer como um adolescente bobão de merda.
Realmente bobo.
Ela continuou calada, parando para me avaliar. Eu estou um pouco suado e molhado, pela água da garrafinha que derramei em mim mesmo enquanto fazia uma pausa do serviço de arrumar um dos meus carros. Além de que estou sem camisa, usando apenas uma calça moletom surrada que deveria estar na lavanderia.
Eu pareço meio nojento agora, mas não diminui o quão impressionante eu posso ser.
- Bom... - eu parei para pensar bem em como me justificaria para ela.
Eu poderia dar uma desculpa esfarrapada sobre querer espantá-lo para que ele sumisse rápido, mas tendo em vista que ela é louca e pensa que tenho uma queda por ela - o que não é completamente mentira -, ela pensaria que me aproveitei de toda a situação para roubar um beijo dela.
- Não precisa explicar. - ela falou, ficando a centímetros. Eu nem havia percebido que ela tinha soltado estelar até sentir a gata entre minhas pernas, miando para mim.
- Agora não, garota. - eu falei para a gata que miou alto e saiu indo para algum lugar do jardim.
Voltei minha atenção total para Any agora, pronto para me explicar.
- É claro que preciso, fui precipitado e... - fui cortado por ela.
- Eu estava pensando em correr até você depois daquilo, mas eu estava com as pernas bambas. - ela disse sorrindo. - Você sabe que eu sou um pouco transparente demais e até minha amiga já disse que tenho uma paixonite secreta por você e é verdade.
Eu parei para ouvi-la.
Eu realmente estava prestando atenção até ela assumir que tem uma paixonite por mim e meu coração acelerar como se eu estivesse correndo uma maratona.
- Eu sei que você é mais velho, que pode ter todas as mulheres que deseja, que eu sou um pouco imatura e meio ingênua e chatinha as vezes. Já tive alguns arrependimentos na vida mesmo sendo nova, mas ter me aproximado de você não é um deles e por mais que você venha a dizer mentiras dizendo que não estava com ciúmes e que gosta um pouquinho de mim, eu ainda quero você.
As palavras saíram ela que estava um pouco rígida pareceu ter tirado um peso dos ombros assim que despejou essas palavras em mim. Palavras que mexeram com muitas partes de mim.
Eu não sei o que dizer.
Essa é uma das raras vezes em que não sei o que dizer.
Eu levei minhas mãos a cabeça. Bagunçando meus cabelos e fechando os olhos com força.
- Você tem noção do que está dizendo? - eu questiono.
- Tenho. - ela responde e eu abro meus olhos.
- Isso é loucura. - eu murmuro. Dou alguns passos para trás.
- Talvez seja, mas o que temos a perder? O que te impede? - ela indaga.
O que me impede?
A pergunta reverbera pela minha mente.
Memórias e pensamentos inundam minha cabeça.
Muita coisa me impede.
- Eu não estou pedindo para me amar. Eu não estou pedindo um romance de contos de fadas. - ela disse se aproximando novamente.
- Mas no fundo é isso o que você e toda a mulher quer. - digo. Ela me encara seriamente. - Eu não posso dar isso a você.
Ela solta o ar pelo nariz, como se tivesse o prendido por um bom tempo.
- Se eu quisesse isso poderia ter procurado em outro lugar, existem garotos que me trataram com mais gentileza que você, mas ainda assim é para você que estou me abrindo. - ela sorri de uma forma como se tivesse sido machucada, do tipo irônico.
Ela dá as costas para mim ao perceber que eu não pronunciaria mais nada.
Cenários rodam minha mente, passado ruim, momentos com Any e imaginá-la com qualquer um daqueles moleques do qual eu tive que espantar por todo esse tempo.
Porra.
Eu corri até ela. Literalmente corri e agarrei o pulso dela quando meu coração pulsou com todos os cenários que estavam perambulando em minha mente.
Ela se virou um pouco surpresa.
- Você não precisa... - eu não a deixei terminar sua frase, eu a beijei de novo.
Pela segunda vez no mesmo dia.
Pode acreditar.
Eu reivindiquei seus lábios carnudos e macios com desespero e pavor de pensar que esses lábios poderiam ser de outro.
Era uma parte que a quer para proteger e outra para possuir. Algo possessivo e incomum.
Bom, conclusão, eu não posso deixá-la ir ou então poderei me arrepender amargamente no futuro e eu já me arrependi por coisas demais nessa vida. Não quero mais um arrependimento.
To be continued???
Eita meu povo.
Mil emoções borbulhando nesse capítulo!
Any decidida? Temos.
Josh possessivo? Temos.
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