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Capítulo 6

Um festival de música aconteceria na praia no sábado, relutei em aceitar ir, mas acabei concordando e segui pra lá com minha irmã, o noivo dela e seus amigos. Any também estava lá, entre uma banda e outra a recepcionista do hotel e me questionou.

Any: Está tudo bem?

- Sim, por quê?

A garota estava vestindo uma blusa branca com mangas até o meio dos braços, e estampas de coração, short jeans, all star nos pés e meias pretas aparentes. Os cabelos estavam bem cacheados e soltos, a maquiagem dela se limitava a lábios pintados de rosa e rímel nos cílios.

Estava linda e eu queria me inclinar, beijar sua bochecha rosada primeiro, depois seus lábios. Queria abraçá-la e curtir o resto do festival com ela colada em mim, mas não poderia fazer nada disso tinha prometido à minha irmã que não iria ficar com Any Gabrielly.

Any: Você parece meio estranho. - Ela falou contra a música alta, pessoas gritando a letra junto à banda e Sofya ali perto falando sem parar sobre como gostava do verão para Alex. - No caso, meio estranho comigo. Te fiz algo? - Mordeu o lábio inferior por um segundo, antes de beber um pouco da cerveja que tinha em mãos.

- Não, você não fez nada.

Any: Ok. - Murmurou, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. - Tudo bem mesmo? - Tornou a questionar.

- Tudo bem. - Confirmei, mas era uma mentira, porque não estava tudo bem. Eu queria ficar com ela, beija-la, toca-la... Levá-la para uma cama... Merda, queria muito tudo isso, mas era um idiota e não poderia ficar com Any porque isso poderia levar a família Soares a se aproximar muito da minha mãe complicada.

Eu não estava bebendo nada alcoólico, tinha uma garrafinha de água em mãos e joguei o líquido gelado em minha cabeça e rosto, após tirar o boné que usava, uma forma de tentar amenizar não apenas o calor, mas também o desejo me consumindo.

Antes da próxima banda começar, enquanto Noah, Sina e Joalin foram atrás de comida, Any pediu para eu acompanhá-la até um dos banheiros. Primeiro travei, depois entendi que a garota queria alguém de fato para ajudá-la a chegar e sair de lá em segurança, não estava propondo regação em um banheiro.

Fomos até lá, deixando Sofya, Alex e Bailey  no lugar que o nosso grupo estava ocupando na faixa de areia. Na fila para o banheiro Any ficou me contando mais sobre o festival e como o adorava, apesar de que a cada ano ficava mais cheio e consequentemente um sufoco maior, mas ela conseguiu ir ao banheiro mais rápido do que esperávamos e como estava tocando um DJ antes da próxima banda, resolvemos caminhar um pouco para fora da multidão para conseguir respirar longe de corpos suados e fumaça de cigarros.

Nós fomos parar no jardim frontal de uma casa que ficava diante da praia, Any conhecia os donos do lugar, a família de uma colega dela dos tempos da escola. Então disse que não iriam chamar a polícia se nos vissem descansando na grama, foi o que fizemos, deitamos perto das flores, emprestei o boné para que a garota cobrisse seu rosto com ele e não ficasse queimando sob o Sol.

- Você deve amar muito a praia, né? Já que vive aqui a vida inteira.

Ficou em silêncio por um bom tempo, mas respondeu honestamente:

Any: Amo, mas me sinto presa nesse lugar.

- Jura? - Olhei para ela o quanto consegui já que tinha o Sol atrapalhando minha visão, além do mais seu rosto estava coberto pelo boné.

Any: Sim. - Suussurrou.- Posso ser honesta?

- Claro.

Any: Não sei se Sina ou meu irmão já te contaram sobre, mas talvez esteja na cara... Enfim, pegamos diversos empréstimos para cuidar do meu pai, muito dinheiro para terapias, hospital, medicamentos, estamos pagando por tudo até hoje. Não fomos para faculdades porque não teríamos como pagar sem fazer mais dívidas, então ficamos aqui... Eu fiquei aqui. - Ela respirou fundo. - Meu sonho era estudar em New York, acho que assisti a muitos filmes, mas sonho com aquela cidade e toda a romantização que é apresentada nas histórias, queria trabalhar numa editora de livros lá, é meu sonho desde que conheci a profissão. Bom, só sei que não tenho planos de me mudar, ganho o suficiente no hotel pra ajudar a quitar as dívidas do tratamento do meu pai, manter meu pequeno apartamento alugado, bancar meu lazer por aqui juntar um pouquinho para que um dia minha mãe abra o próprio salão de beleza. Meus sonhos, eles estão em último lugar, preciso cuidar da minha família primeiro.

Fiquei em silêncio, minha vida já tinha sido bem conturbada, mas dinheiro nunca foi problema. Mesmo ali naquele momento eu poderia largar tudo e continuar tendo uma vida confortável por conta do que herdei dos meus avós e do meu pai, poderia deixar o balé e seguir meu sonho de ser escritor, mas minhas amarras eram outras.

Any e eu queríamos ser livres, mas ambos estávamos presos de certa forma.

Não falamos mais nada pelos próximos minutos, fechei meus olhos e fiquei sentido o Sol esquentar minha pele, até isso parar. Abri os olhos e vi nuvens cobrindo o céu, não parecia que ia chover, mas o tempo ficou nublado com poucos feixes de raio de Sol.

Any: É uma merda - Falou, me fazendo voltar a olhar pra ela, tinha tirado o boné de seu rosto. Seus olhos castanhos se encontraram com os meus, o olhar dela era tão intenso que parecia conseguir enxergar minha alma. - Não conseguir ser corajosa para fazer o que quer... Quero dizer, teria que ajudar meu irmão e minha mãe a pagar os empréstimos de qualquer jeito, mas eu poderia deixar o hotel e ir atrás de um emprego em New York. Não como editora, já que não tenho qualificação para isso, mas estaria lá, talvez um cargo menor em uma editora. Só que aqui é confortável, ainda que seja como uma prisão para meus sonhos, também é onde me sinto protegida e sair desse casulo seria amedrontador. Você sabe como me sinto? 

- Perfeitamente, Any. - Ela me lançou um sorriso triste. - Há conforto até mesmo na tristeza e tentar mudar é absurdamente assustador.

Any: E nós dois somos impostores.

Eu sorri, ela riu um pouco. Estiquei minha mão sobre a grama e encontrei a dela, nossos dedos se uniram e ficaram ali, entrelaçados. Desejei nunca precisar soltar a mão dela e aquele pensamento assustou um pouco meu coração, mas não desfiz nosso toque.

Any: É horrível, o sentimento de se sentir uma fraude, de achar que nunca merece nada do que tem e se sabotar para não fazer mais nada, pois seria um ciclo vicioso.

- Vai para New York. - Falei baixinho, puxando a mão dela para meu peito. Ela poderia sentir meu coração bater forte, só que não me importei, queria sentir mais um pouco dela também.

Imaginei nós dois na minha cidade, vivendo como se estivéssemos em uma comédia romântica, o final sempre contando com uma música animada alta e o casal se beijando, um final feliz.

Mas, nós dois sabíamos como a realidade era. Pais faleciam, famílias se dividiam, pessoas desconhecidas te criticavam na internet, hóspedes sem noção atormentavam seu trabalho e no final do dia, deitado na cama, você dava mais um passo para longe dos sonhos e chegava mais perto do fantasma com a plaquinha escrita: Você não é bom o suficiente!

Any soltou minha mão, mas se moveu na grama até estar com o rosto sobre o meu. Mais uma vez, seu olhar pareceu decifrar cada pensamento meu, quis abrir a boca e contar sobre meu livro, de como tudo tinha dado errado, mas ela fez algo que me impediu de dizer qualquer coisa.

Colou seus lábios em minha bochecha, demoradamente, depois apoiou sua testa na minha por mais alguns segundos. Quando estava erguendo uma mão para tocar nos cabelos dela, Any se levantou.

Apertei meus olhos, o Sol não incomodava mais, porém queria mesmo era cessar todas as fantasias envolvendo Gabrielly. Estava apaixonado e era uma benção que em poucos dias fosse embora, ou acabaria com um sentimento muito mais forte pela garota e seria terrível, para ela, para mim, para nossos irmãos.

A última vez que amei uma garota foi na escola, mas minha mãe tinha me feito terminar o namoro com Clara, pois eu precisava focar no balé e na escola. Por isso não poderia deixar os sentimentos por Any evoluírem, não quando era fraco demais e fosse acabar deixando Úrsula acabar com eles.

Estava preso, sabia qual chave abriria minha cela, mas não colocaria meu braço entre as grades para pegá-la. Ficaria ali de dentro, olhando para a chave, a responsável pela prisão e pela liberdade.

Escutei barulhos de correntes e por um minuto achei que estivesse alucinando por conta do calor, estaria tão focado na sensação de estar preso que estava ouvindo coisas? Até que me sentei, olhei para trás e vi Any em um balanço preso a uma das árvores do jardim frontal, ela olhava para mim e perguntou:

Any: Já quer voltar para a praia?

- Não.

Fiquei de pé e fui para perto dela, Any parou de se balançar e eu a ajudei a pegar impulso. Ela foi bem mais alto, e soltou um gritinho animado, a ajudei a se balançar mais algumas vezes, mas em determinado momento parei para fotografá-la.

Abri a câmera no celular e tirei uma foto da garota, ela parecia livre naquele instante. E ficamos ali, sem falar mais nada, até Noah ligar procurando por nós dois.

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